O valor da vida fetal

«(...) Podemos olhar para um feto tal como ele realmente é- vendo as características reais que possui- e podemos avaliar a sua vida colocando-a no mesmo escalão em que colocamos as vidas dos seres com características semelhantes que não membros da nossa espécie.
Torna-se agora claro que o nome do movimento Pró-Vida à Vida é enganador. Longe de se preocupar com toda a vida ou de adoptar uma escala de preocupação imparcialmente baseada na natureza da vida em questão, quem protesta regularmente contra o aborto, mas come com a mesma regularidade carne de frango, porco ou vaca, revela apenas uma preocupação tendenciosa pela vida dos membros da sua própria espécie. Porque, em qualquer comparação justa de características moralmente relevantes- como a racionalidade, a autoconsciência, a consciência, a autonomia, o prazer e o sofrimento,etc.- , a vaca, o porco e a tão ridicularizada galinha ficam muito à frente do feto em qualquer estádio da gravidez- e , se fizermos a comparação com ofeto de menos de 3 meses, um peixe mostra mais sinais de consciência.
Penso, portanto, que não se deve atribuir à vida de um feto um valor maior que à vida de um animal não humano com um nível comparável de racionalidade, autoconsciência, consciência, capacidade de sentir, etc.»
in Ética Práctica, Peter Singer